Entenda o limite da curiosidade e até que ponto a possessividade pode alcançar

É muito comum encontrar pessoas que utilizam o termo “stalkear” em situações cotidianas, como conferir o perfil do ex namorado ou procurar por atualizações sobre a vida de outras pessoas.

Mas a palavra “stalker” vai muito além do que é visto por aí. Com origem inglesa, ela significa perseguidor, se referindo a alguém que decide importunar de maneira inconveniente, desagradável e obsessiva a outro indivíduo.

De acordo com a Lei 14.132/21, também conhecida como Lei do Stalking, a prática passou a se tornar condenada e criminosa, como cita o artigo:

Art. 147-A do Código Penal: Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.

Para saber melhor quais são as características de um stalker e qual é o limite do interesse no outro, continue com a leitura.

Até que ponto é normal stalkear alguém?

Até certo ponto, stalkear é normal e muito comum, principalmente depois da explosão das redes sociais na sociedade.

Alguém que acabou de terminar um relacionamento e quer saber como anda a vida do ex, se já engatou um novo romance ou se ainda não superou o término. Ou ainda, alguém que está interessado em uma pessoa, mas sabe pouco sobre ela e quer conhecer melhor seus gostos.

Como as situações citadas, são atitudes que podem acontecer e que não representam perigo a nenhum envolvido.

No entanto, quando o limite do bom senso começa a ser ignorado, a stalkeada saudável passa a se tornar uma obsessão doentia, que merece atenção especial.

De acordo com a psicóloga Milene Rosenthal, em entrevista à Toda Teen, “quando se invade demais a privacidade do outro, buscando maneiras de passar pelo bloqueio das informações que não ficam disponíveis”, já é um alerta.

Isso significa, que deixar de viver a própria vida para consumir deliberadamente o perfil do outro, é o sinal de que as coisas não vão bem.

Em outras palavras, é preciso ficar atento a atitudes negativas, que podem indicar necessidade de ajuda, como:

  • Deixar de fazer as coisas que mais gosta para passar tempo stalkeando.
  • Ficar em constante estado de ansiedade se a pessoa não está online ou não responde.
  • Acessar, com muita frequência, o perfil da outra pessoa.
  • Tentar descobrir a senha da outra pessoa a todo o custo.

Algumas pessoas criam rotinas para acompanhar a vida de seus namorados/namoradas, rivais, amigos e até pessoas desconhecidas. Elas costumam passar por todas as redes sociais, até conferindo quando foram as últimas ações e localizações.

Ainda é importante lembrar, que questionar atitudes duvidosas no perfil do companheiro/companheira não é um problema, desde que seja feito de maneira pensada, consciente e com base, não apenas achismos.

Quando stalkear é crime?

Como citado anteriormente, existem situações que podem ser vistas de maneira saudável, outras que merecem atenção em prol da saúde do indivíduo, mas há ainda uma terceira vertente do stalker, quando a pessoa não só passa a observar, como a perseguir a outra.

Essa última prática, além de desagradável, é crime.

São diferentes os perfis de stalkers, sendo eles:

  • Rejeitado: O mais comum. Aquele que normalmente não aceita o término do namoro e passa a perseguir a/o ex. As razões que o levam a manter a atitude, é porque ao perseguir, o “relacionamento” se mantém, alimentando a ideia que o fim não aconteceu.
  • Ressentido: O que se julga injustiçado, pois não foi compreendido. Sua maior finalidade é vingança ou mostrar que estava certo.
  • Cortejador inadequado: Pessoa com dificuldade de estabelecer relacionamentos, tentando criar relacionamentos à força no intuito de romper isolamentos sociais.
  • Em busca de intimidade: Sua motivação é a fantasia. Ele imagina amor e amizade, onde não há relacionamento nenhum. Quanto maior a rejeição, maior a motivação. Pessoas assim, costumam ter uma doença mental chamada gerantomania.
  • Predador: Pessoa que busca um relacionamento sexual com outra, que em regra, já é conhecida.

De maneira prática, podemos acompanhar como ele funciona em exemplos, como:

Cliente obcecado

No ano de 2019, uma massagista que trabalhava em uma cliente de estética começou a receber diariamente um cliente procurando por seus serviços.

Após a pandemia, com o fechamento da clínica, o cliente passou a ligar mais de 50x por dia para ela, retornando ao local quando os atendimentos presenciais voltaram, com escândalos e até quebrando o carro da massagista.

A vítima decidiu então procurar uma delegacia, onde o delegado ouviu e gravou todas as ameaças realizadas em uma das ligações realizadas pelo criminoso. 

A massagista obteve medida protetiva. O stalker passou 7 dias preso, quando alegou problemas mentais e hoje continua solto com tornozeleira eletrônica.

Vítima recebe mais de 180 ligações por dia

Um homem, que recebe mais de 180 ligações por dia de uma ex, após se mudar de Estado e trocar de número, se encontra sem esperança de encontrar uma pessoa para iniciar um novo relacionamento, pois diz não conseguir acreditar mais ser possível algo saudável entre as pessoas.

Além desses, ainda podemos citar outros exemplos com stalkers que terminaram em tragédia, como o caso do acidente de carro da Princesa Diana, perseguida por paparazzis e John Lennon, morto por um fã.

Existem ainda, os casos de pessoas que não perseguiram por si só seus companheiros, mas decidiram contratar um detetive particular para situações específicas.

Esse tipo de profissional pode ser muito útil para encontrar informações sobre documentos, antecedentes criminais, localização de pessoas, fraudes em empresas, relacionamentos passados e traição, de modo que auxilie o contratante a tomar uma decisão acertada sobre permanecer ou dar fim ao relacionamento.

Não existe um momento ou resposta certa sobre contratar um detetive particular. O ideal, é avaliar o caso de maneira individual, e caso haja desconfiança ou necessidade de comprovar com provas alguma situação, o profissional pode ser a solução.

Apenas lembre-se, que esse tipo de prática exige muito autocontrole, pois não se sabe ao certo o que será encontrado durante a investigação, e muito menos o quanto poderá afetar a você ou a quem optou por dar prosseguimento ao caso.

Considerações finais

Stalkear é crime, quando o limite do bom senso começa a ser ultrapassado, e por isso, é algo que precisa ser levado a sério.

No entanto, em casos de desconfiança, necessidade de provas ou mesmo para localizar pessoas, a contratação de um detetive particular, desde que não interfira na integridade e segurança do outro, pode ser uma solução.